Cuidar de quem a gente ama
quem cuida de quem ama não pode ficar sozinho nessa
Propõe subsídio à acessibilidade em casa para idosos de famílias de menor renda, aplicativo de companhia, mais instituições de longa permanência, centros de referência em autismo e mais saúde mental.
O que o programa diz
Cuidar de alguém que depende de você é um dos gestos mais nobres que existem. Mas, quando se está sozinho, esse cuidado sobrecarrega. A mãe do bebê pequeno, a filha do pai com Alzheimer, a família da pessoa com deficiência: todos enfrentam a mesma escolha impossível entre sustentar a casa e cuidar de quem amam. Esse trabalho, que recai quase sempre sobre as mulheres da família, equivale a cerca de 8,5% do PIB brasileiro, uma economia inteira sustentada por quem abre mão do próprio trabalho para cuidar. O Estado não pode assumir esse cuidado no lugar da família, mas pode dividi-lo com ela. Para as crianças, e também para o apoio às famílias que cuidam de idosos e pessoas com deficiência, o Brasil por Elas já detalha a ampliação de creches, o voucher-creche e a Rede Nacional de Cuidado, com centros-dia e atendimento domiciliar em parceria com estados, municípios e organizações sociais. [p. 38]
O Brasil envelhece depressa, e a família mudou: são lares menores, mais mulheres trabalhando fora, mais idosos vivendo sozinhos e mais doenças crônicas. Cuidar de quem envelhece virou um desafio que a casa nem sempre dá conta. Por isso, para a população idosa, vamos oferecer o programa Casa Segura para Envelhecer, com subsídio à acessibilidade domiciliar para famílias de menor renda. Desenvolveremos um aplicativo de companhia com alertas de perigo, para que o idoso tenha o amparo da tecnologia e o filho que mora longe tenha tranquilidade. E vamos ampliar as instituições de longa permanência para idosos, para que recebam proteção especial quando o cuidado familiar não for viável ou suficiente. O mesmo cuidado vale para as pessoas com deficiência e com doenças raras, que enfrentam barreiras todos os dias e muitas vezes contam apenas com a própria família para tudo. Nossas políticas serão transversais, atravessando todas as áreas do governo, voltadas a ações concretas de garantia de direitos, inclusão e integração social, entre elas a implantação de Centros de Referência em Transtorno do Espectro Autista. Promover inclusão não é custo: é investimento com alto retorno social e econômico, porque cada pessoa que ganha autonomia é uma família inteira que ganha qualidade de vida. A saúde mental é outra face do cuidado, e hoje pesa sobre milhões de famílias, quase sempre em silêncio. Vamos fortalecer e ampliar a atenção à saúde mental, chegando às famílias que muitas vezes enfrentam tudo sozinhas: o diagnóstico precoce e o apoio às crianças com TDAH; a atenção à depressão e à ansiedade; e o cuidado com os idosos que enfrentam o Alzheimer e outras doenças neurológicas, e com quem cuida deles. Não se trata de rótulos nem de burocracia, e sim de garantir que quem precisa de ajuda encontre diagnóstico, tratamento e amparo perto de casa. Cuidar bem de uma criança, de um idoso ou de uma pessoa com deficiência não é favor: é o que permite que o resto da família trabalhe, estude e viva. Uma sociedade que divide o cuidado é uma sociedade em que ninguém precisa escolher entre a família e o próprio futuro. [p. 39]
Em linguagem simples
- O programa afirma que o cuidado de crianças, idosos e pessoas com deficiência recai quase sempre sobre as mulheres da família e equivale a cerca de 8,5% do PIB. Diz que o Estado não pode assumir esse cuidado no lugar da família, mas pode dividi-lo com ela, e remete ao Brasil por Elas para creches, voucher-creche e a Rede Nacional de Cuidado.
- Para idosos, propõe o programa Casa Segura para Envelhecer, com subsídio para tornar a casa acessível em famílias de menor renda, um aplicativo de companhia com alertas de perigo e a ampliação das instituições de longa permanência para quando o cuidado familiar não for possível ou suficiente.
- Para pessoas com deficiência e com doenças raras, prevê políticas que atravessem todas as áreas do governo, voltadas à garantia de direitos, inclusão e integração social, entre elas a implantação de Centros de Referência em Transtorno do Espectro Autista.
- Propõe fortalecer e ampliar a atenção à saúde mental, com diagnóstico precoce e apoio a crianças com TDAH, atenção à depressão e à ansiedade e cuidado com idosos com Alzheimer e outras doenças neurológicas e com quem cuida deles. O objetivo declarado é oferecer diagnóstico, tratamento e amparo perto de casa.
O que não está no programa
- Não indica custo nem fonte de recursos.
- Não define o valor do subsídio do Casa Segura para Envelhecer nem o que caracteriza uma família de menor renda.
- Não detalha como funcionaria o aplicativo de companhia nem quem o operaria.
- Não apresenta números, metas ou prazos para a ampliação das instituições de longa permanência, dos Centros de Referência em Transtorno do Espectro Autista e da atenção à saúde mental.
- Não informa quem executaria essas medidas nem se haveria parceria com estados, municípios ou organizações sociais, como a citada para a Rede Nacional de Cuidado.